sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

As folhas das árvores


Juvenal estava limpando a calçada, quando o vizinho, dono de uma construtora saiu com o carro...

- Essas folhas são uma danação... rapaz, veja como elas estão amareladas... disse o vizinho.
Juvenal parou um pouco para responder:
- É verdade, mas temos que considerar que é inverno, as folhas ficam amarelas mesmo, caem, e depois na primavera elas retornam com o mesmo vigor de antes.
- Ah... estranhou o vizinho... continuou a manobra com o carro e se foi.
Juvenal ficou pensando: porque será que as pessoas acham que está tudo errado? porque será que só gostamos do que não nos dá trabalho? porque será que gostamos tanto de ter coisas que não nos oferecem nenhum cuidado especial?
Ele ficou pensando e chegou à conclusão que somos realmente uns insatisfeitos da vida, pois queremos que a vida nos ofereça os melhores momentos, mas não temos a devida coragem para encarar as situações para que esses melhores momentos sejam realidade.
Isso é de maneira geral, porque ainda não nos acostumamos a tomar em nossas mãos as rédeas de nossas vidas.
Estamos sempre querendo alguma coisa, mas queremos que ela apareça, simplesmente, como num passe de mágica.
Ainda estamos diante do dilema entre agir e esperar que as coisas aconteçam. Creditamos nossas realizações a este ou aquele, não importando de que religião sejamos. Queremos que os santos, que os espíritos, que  os isso, que os aquilo, resolvam o nosso problema, não conseguindo entender que o problema só será resolvido pelo dono e o dono dos problemas somos nós mesmos.
Podemos pedir ajuda e isso é totalmente lícito, mas o que não podemos é ficar esperando que caia do céu a solução que tanto esperamos. Para que ela caia do céu temos a necessidade de criar as condições para que isso aconteça.
A ajuda espiritual é sempre muito bem-vinda, Deus também adora nos colocar de bem com a a vida,
nos permite decidir por quais caminhos que deveremos trilhar e nisso ele não se mete, o máximo que ele faz é observar e fazer com que a lei de ação e reação aja, ou seja, a cada um segundo as suas obras, sem discussão, sem castigos e sem prêmios.
Nossa vida pode ser comparada a uma arvore, temos folhas em algumas estações e em outras as folhas caem. não é motivo para desespero, mas para produzirmos o que queremos.
se queremos folhas novas temos que colocar adubo, irrigar com cuidado, tratar bem e agradecer pela sombra futura e passada que nos foi proporcionada, senão as coisas não acontecem de acordo com o que queríamos.
As estações em nossas vidas são necessárias, senão como aprender? como valorizar o que conquistamos? como entender a grandeza do Universo sem pensar em uma inteligência maior que nos proporciona tantos espetáculos de beleza?
Para que as folhas da nossa vida não nos perturbem e sejam consideradas temos que agradecer a esta natureza exuberante que nos foi oferecida por cenário e entender a dinâmica da vida: começo, meio e fim.
Se estamos no começo devemos nos conscientizar que o aprendizado que fizermos nos garantirá as conquistas de amanhã, se já estamos pela metade da caminhada precisamos ter a certeza que as folhas caem, mas se cuidada de maneira adequada a árvore nos oferecerá, com o tempo novas folhas que nos garantirão a sombra que necessitamos para descansarmos antes de retomarmos a caminhada e, se já estivermos no limiar de uma nova aurora, quase de volta para a pátria espiritual, entendamos que é realmente uma nova aurora, que um novo tempo se aproxima e que, feito o balanço necessário e acertadas novas coordenadas, dentro de algum tempo iniciaremos um novo período, cheio de oportunidades e esperança.
Agradecer à  natureza tudo o que ela nos oferece é agradecer à vida o fato de estarmos vivos e podendo recolher a folhas que perdemos na certeza que novas folhas se colocarão à nossa disposição dentro de novas estações de trabalho, vida e entendimento.
05/08/2015