domingo, 31 de outubro de 2010

Não Tenho Ouro Nem Prata...

Num sábado, chegando à Avenida Roberto Marinho, próximo ao Aeroporto, parei no semáforo.
Imediatamente ao farol ter virado para o vermelho, apareceu um desses artistas da vida... um saltimbanco, meio perdido pela fome e pelo destempero da temperatura e do clima na nossa cidade. Fez algumas acrobacias, piruetas e saltos "quase mortais", tal o estado em que se encontrava.
O que esse artista da vida nos oferecia?
Foi ai que eu lembrei da frase de Pedro, ao ser indagado pelo mendigo lhe disse que não tinham ouro nem prata, mas que lhe dariam do que tivessem de seu... e o mendigo foi curado em nome de Jesus.
O que tem a ver o mendigo curado com o pobre saltimbanco da Avenida Roberto Marinho?
Diferentemente de nós, que ofertamos em pequena quantidade o "ouro e a prata" que temos, ele nos ofereceu a sua arte.
A arte que é dele, pois a adquiriu à custa de esforço para realizar alguma coisa que lhe trouxesse o alimento no final do dia, mesmo que em quantidade insuficiente.
Notei que muitos dos que lá estavam tomavam atitudes diferentes: uns fechavam os vidros do carro; outro virava o rosto para não ver o "espetáculo"; outros ainda olhavam indiferentes vendo somente o aspecto físico da coisa.
Foi então que um rapaz buzinou e o artista foi em sua direção, recebeu as moedas que estavam sendo ofertadas, agradeceu e voltou para o passeio, pois o semáforo voltara ao verde.
O que terá feito o rapaz oferecer o "seu ouro e sua prata"?
Com certeza o acrobata do cruzamento atingira o seu coração com o que tinha de seu, talvez tenha provocado nele o milagre que Pedro ajudara a provocar no mendigo da Porta Formosa, no Templo de Jerusalém.
O Acrobata atingira o coração do jovem com o que era dele, igualzinho que Pedro: o que eu tenho, isto te dou.
Nos deu a humildade de mostrar-se em sua quase nudez; nos deu o exemplo de que, em qualquer circunstância, vale o trabalho honesto e despretensioso; nos deu a certeza que, apesar de não saber exatamente o que estava fazendo naquele momento, alguém fora beneficiado com a sua arte.
Quantas vezes esquecemos de oferecer ao próximo o que temos de nós mesmos?
Isso vale em todos os setores de nossas vidas. Família, trabalho, sociedade.
É tempo de transição planetária. Mundo de regeneração. É tempo de percebermos as palavras de Jesus nos convidando ao trabalho de mudança em nós mesmos.
Prestar atenção ao próximo é prestar atenção a Deus, em seus designios, em seu planejamento para o Universo, e nós todos estamos incluídos nesse planejamento.
Não chegaremos a Espíritos Puros se não prestarmos atenção aos "pequeninos" que são colocados em nosso caminho para que possamos distribuir, assim como Pedro, João e  o saltimbanco da Avenida Roberto Marinho, o que tivermos de nós mesmos.

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