terça-feira, 26 de outubro de 2010

O Abismo

A neta pediu ao avô que lhe contasse alguma coisa de sua vida que lhe tivesse provocado fortes emoções.
Ele puxou pela memória e contou um acontecimento de muito tempo atrás...
Eles moravam numa pequena cidade do interior chamada Salesópolis, pertinho de Mogi das Cruzes, não muito distante de São Paulo. O ano deveria ser 1954, 1955, pois havia pouco tempo que eles tinham chegado de seu país de origem.
Foram plantar arroz naquela região.
A família não estava acostumada com aquelas atividades, nem tampouco com o ambiente: muita vegetação, pouca gente na redondeza, lugar muito isolado.
O avô nessa época tinha, mais ou menos, dois ou três anos.
Contou que estava andando por aquele lugar, sózinho, pois não lembrava que ninguém estivesse com ele, nem como havia chegado naquela situação.
Estava de frente para um abismo, a um passo de cair... ele parou diante daquilo, sem saber o que fazer.
A sua sorte foi que alguém o vira saindo e o seguiu para ver onde ele ia, pois não tinha idade para ir muito longe... era sua irmã. Logo que ela percebeu que o pequeno poderia cair no imenso abismo, o chamou.
Ele virou-se, reconheceu a irmã e correu para ela, pois ali estava a solução para o seu dilema: ele não sabia o que fazer naquela situação desconhecida e, aparentemente, sem alternativas.
A alternativa que o pequeno vislumbrara não lhe parecera muito boa, estava caminhando para a frente e a única coisa que poderia acontecer era ele cair em pleno abismo.
Ao chamá-lo a irmã mostrara uma outra alternativa, ou seja, voltar pelo mesmo lugar que ele percorrera.
Aparentemente a solução é óbvia, mas quantas vezes não conseguimos enxergar o óbvio e nos perdemos em discussões e atitudes que nos trarão dificuldades?
Em quantos abismos caimos sem perceber que podemos, simplesmente, voltar pelo mesmo caminho?
Interessante notar que, em nossas vidas, diariamente, nos vemos em situações que nos pedem só o óbvio...  e nós insistimos em inventar...
A vida, de maneira geral, nos pede somente duas opções: sim ou não... simples assim.
Simples assim, porque Deus é simples... não vive elocubrando planos mirabolantes para que nós nos percamos em devaneios que não levam a nada.
Para simplificar: não desesperar jamais, porque quando não houver mais solução, sempre resta a solução de dar meia volta e voltar.
Abraço fraterno.

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