domingo, 9 de outubro de 2011

Sinais

Os sinais em nossa vida são importantíssimos e, na maioria das vezes, não os levamos a sério e, consequentemente, atrasamos o andar de nossa carruagem, andar que, via de regra, já é bem lerdo.
Leiam a história de hoje...
Vovô e netinha estavam olhando para o infinito.
Ela se perguntava, em silêncio, como o avô havia chegado ao Espiritismo. Afinal, na visão dela, ele sabia praticamente de tudo em relação à doutrina.
Ela olhou bem para ele e desfechou a inevitável pergunta:
- Como é que você sabe tanto a respeito dos espíritos e dessas coisas do além?
O avô meio que acordou, piscou duas ou três vezes e pediu:
- Repete a pergunta, por favor...
- Como é que você sabe tanto a respeito dos espíritos e dessas coisas do além? Entendeu agora?
- Ouvi e entendi... vou explicar... eu não nasci espírita, eu nasci católico, quase como todo mundo nasceu. Fui educado no catolicismo, fui batizado, crismado, casei e tudo o mais, na Igreja Católica.
Isso não é ruim, pelo contrário, pois eu participava de Grupo de Jovens na minha paróquia...
- O que é um Grupo de Jovens? - interrompeu a netinha.
- Bom... Grupo de Jovens eram adolescentes que se reuniam ao final da missa para estudar o Evangelho de Jesus e participar das atividades da paróquia. Essa participação era bem efetiva, fazíamos bailes, encontros e um monte de coisas, para ajudar a construir a Igreja...
- É parecido com as Mocidades Espíritas? questionou a netinha.
- Isso mesmo... no mesmo estilo...
- Continua contando como você virou espírita...
- Ah, é verdade... eu não era espirita, mas aconteceram algumas coisas na minha vida que poderiam ter feito com que eu fosse mais cedo para o Espiritismo... eu é que não entendi os sinais...
- Que sinais, vô?
- O primeiro aconteceu quando eu estava no primário, que hoje vocês chamam de fundamental I... eu falava muito, sózinho... os colegas de sala diziam que eu colava, mas a minha professora da época...
- Vô, você lembra o nome dela ainda?
- Claro que lembro, nome e sobrenome: Glória Serrano Corleone... pois bem, a professora Glória sabia que eu não colava, que eu falava comigo mesmo...  Ela nunca colocou em dúvida isso, mas para mim era natural, porque eu falava sozinho mesmo...
- E depois vô, que mais aconteceu?
- Outro sinal que eu lembro nitidamente, foi quando eu estava no ginásio, que hoje é o Fundamental II... eu estudava no Villalva, um colégio que tem lá no Jabaquara... eu ia pela manhã. Um dia...
- Um dia o quê, vô, conta...
- Tô contando... um dia, eu vi um amigo de classe com um livro encapado com papel de pão, aquele papel marron que chamam de Kraft hoje...
- E ai, vô? o que você fez?
- Eu perguntei pra ele o que era aquilo...
- E ele, o que respondeu?
- Ele me disse que era O Livro dos Espíritos...
- Vô!!! e você, o que fêz?
- Fiquei meio sem jeito, só de ouvir falar em espíritos eu ficava perdidinho de medo...
- E?
- Eu falei pra ele: isso não é muito legal...
- E o que ele falou, vô?
- Ele falou: Ah! você é desses que quando chegar do lado de lá, não vai saber onde está? Eu leio este livro porque eu quero informação, vou saber o que fazer do lado de lá!
- Rapaz! Eu fiquei sem saber o que dizer... e não falei nada mesmo... botei minha viola no saco e fui embora...
- E ai, vô?
- Aí? Nada... nunca mais vi o meu amigo, nem na escola... hoje fico até preocupado: será que ele existia mesmo?
- Sinistro, vô... será?
- Não, sua boba... ele era meu colega de classe e eu o via regularmente... a partir dai acho que eu é que o evitava...
- Teve mais sinais, vô?
- Bom... depois desse eles me deram um tempo... fui para o grupo de jovens da igreja...
- Isso você já falou...
- Já falei, mas as minhas dúvidas aumentavam a cada dia, porque o que eles me diziam me deixava muito encucado... eu não achava que aquilo estava certo...
- Aquilo o quê, vô?
- Aquelas coisas de céu e inferno, passarmos uma vez só por aqui... eu discutia muito com o Geraldo...
- Geraldo? Quem era esse?
- Geraldo era o coordenador do Grupo de Jovens que eu frequentava, lá no Jardim Consórcio... ele falava de Evangelho todos os domingos, depois da missa... eu discutia com ele sobre esses posicionamentos...
- Mas, vô, e o sinal, como foi que aconteceu?
- Ah, é verdade...
- Fala, vô!
- Bem... eu tinha um amigo no Grupo de Jovens que, de repente, sumiu... ninguém ouvia falar dele, onde estava, o que fazia... só sabiamos que ele estava namorando a sobrinha do Carioca.
- Vô, quem era esse tal de "carioca"?
- Esse tal de "carioca" era meu vizinho... a irmã dele morava em frente a minha casa e ficamos sabendo que o Sérgio estava namorando com a sobrinha dele...
- Sérgio é o tal que estava sumido?
- Isso, isso, isso...
- Vai, vô...
- Fui... o Sérgio estava namorando com ela, eu não lembro o nome dela, eu não tinha amizade com ela. Só sei que um belo dia encontrei o Sérgio e perguntei porque ele não estava indo ao Grupo de Jovens...
- E ele respondeu?
- Respondeu... disse que aquilo não era nada comparado com os estudos que ele estava fazendo no Centro Espírita não sei das quantas...
- Caraca, vô... esse foi decidido mesmo, largou tudo e foi pro Centro... e por amor!
- Não tinha pensado nisso, mas é verdade mesmo... decidido e por amor, literalmente...
- Conta que tá ficando bom...
- Eu não sabia o que pensar, o preconceito que eu tinha ainda era muito grande... minhas raízes eram profundas, mas eu já tinha alguma coisa diferente... eu questionava.
- Tiveram mais sinais, vô?
- Depois desses? Só os da necessidade... mas isso é uma outra história...
- Ah, vô!
- Ah, netinha!

Um comentário:

  1. Olá Manolo,

    Meu nome é Luís A. A. de Oliveira, sou frequentador (infelizmente não assíduo) do Seara Bendita, principalmente nas palestras para os pais aos sábados. Suas palestras são excelentes e sempre me ajudam muito, a de hoje foi sensacional me encheu de motivação para vencer minhas preocupações e medos.

    Gostaria de passar um décimo do que aprendi com você em sua palestra de hoje para a meus colaboradores no trabalho. É uma equipe muito boa mas que apresentam muito receio no ambiente de trabalho, pois o cliente é muito complexo e muitas vezes muito autoritário. Estou trabalhando este lado motivacional e sua palestra traz muita luz para esse tarefa.

    Obrigado por despertar em mim nas suas palestras, o que realmente importa em nossa jornada por aqui!

    Luís.

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