quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Gatinhas e Gatões

O dia começava como sempre: acordando não muito cedo, as netas chegando para passarem a manhã e a gatinha na cama do vovô.
As netinhas chegando, bom dia pra cá, bom dia prá lá, beijinhos e tudo o mais.
De repente, uma delas pergunta:
- Vô, porque essa gatinha tá sempre perto de você? porque ela gosta tanto de você?
O avô ficou pensando um pouquinho e começou a contar como eram as coisas antes da gatinha chegar.
- Bem, netinha, vamos começar do começo...
- Que começo, vô?
- O começo desta história... há algum tempo nós tivemos um cachorro morando com a gente, um cachorro muito bonito, presente de um tio dos meninos...
- O cachorro tinha nome, vô?
- Tinha sim, ele se chamava Mike... era da raça cocker, caramelo...
- Caramelo? Vô, ele era de doce?
O avô sorriu e continuou...
- De doce não, neste caso o caramelo é a cor, parecida com a cor do doce de caramelo...
- Ah, disse a netinha, continua vô...
- Quando o Mike chegou foi uma festa, todo mundo muito feliz, todo mundo contente... só eu estava preocupado...
- Preocupado? com o quê, vô?
- Estava preocupado com quem iria fazer a limpeza da sujeira que um cachorro produz...
- Nossa, vô? Cachorro faz tanta sujeira assim?
- Faz e muita... pra todo lado... e eu não tenho estômago pra ficar limpando tudo isso...
- Nossa vô, que fria!
- Fria mesmo...
- Resolveu de que jeito?
- Bom, uma das tuas tias ficou de fazer a tal limpeza, principalmente porque era ela a maior interessada no cachorro, pois tinha se encantado por ele...
- Muito justo, quer ficar com ele, limpa a sujeira dele...
- Mais ou menos isso...
- Porque mais ou menos, vô?
- Porque na teoria é tudo muito fácil e simples... mas na prática a coisa não funcionou exatamente como tínhamos combinado...
- Não, vô?
- Não... os restos ficavam quase uma semana para serem recolhidos e você pode imaginar o cheiro que isso deixava... na maioria das vezes quem acabava recolhendo era a tua avó ou eu mesmo, apesar de tudo...
- Que agonia, vô!
- É verdade, mas o tempo passou, o Mike foi ficando mais velho e um dia pegou uma doença grave e foi pro outro lado...
- Acabou a sujeira, vô!
- Pois é... a partir dai eu não queria mais animais em casa...
- Porque vô?
- Porque na hora "H" ninguém cuida, fica tudo pra mim ou pra tua vó... e eu não aguentava mais isso...
- Decidido, vô! sem animais em casa...
- Mas todo mundo ficou com vontade de ter um animalzinho de estimação...
- E você vô?
- Eu não, se quisessem ter animais em casa teriam que cuidar...
- Isso ai, vô..
- O tempo foi passando e ... de repente...
- De repente o quê, vô?
- Uma surpresa...
- Surpresa?
- É... uma surpresa muito pequenina...
- Conta vô...
- Um dia alguém chamou dizendo que tinha alguma coisa na cozinha...
- Que coisa, vô?
- Uma coisa peludinha, preto e branca e com muito medo, muito arisca...
- O que era vô?
- Uma gatinha... filhotinha... estava perdida na nossa casa...
- Não fala, vô... que coisa...
- Pois é... a gatinha estava toda medrosa, tinha vindo da rua, não sabia exatamente onde estava, só queria se esconder...
- E ai, vô?
- Bom, depois de algum tempo ela ficou mais amigável e foi chegando perto de todos...
- Vô, e você? o que você fez?
- Fiquei encantado com a gatinha...não tive coragem de colocá-la de volta na rua...
- Ficou em casa?
- Ficou... chamamos a danadinha de Corintiana...
- Corintiana?
- É... por causa da cor, lembra? preto e branco...
- Ah, é verdade... ainda bem que teve um final feliz... mas onde a Corintiana?
- Nem gosto de lembrar...
- O quê, vô?
- O dia em que ela morreu...
- Nossa, vô!
- É... ela morreu logo...
- Do quê, vô?
- Acho que morreu envenenada, pois um dia ela estava super estranha, correndo pra lá e pra cá e nós não sabíamos o porquê daquilo tudo...
- Que estranho, vô...
- Também achamos, mas como aparentemente ela estava bem, não ligamos muito não... só sei que quando chegou uma das tuas tias, veio a notícia... a gatinha estava morta no degrau da escada...
- Nossa vô... que triste...
- Foi mesmo, muito triste, principalmente porque ela era muito novinha, muito bonitinha, muito carinhosa..ficamos desolados, sem saber  o que fazer...
- Imagino...
- Os dias foram passando e ai chegou uma outra notícia: um gato novo estava a caminho de casa, presente do namorado da tua tia...
- Que bom, vô!
- Eu também achei, principalmente porque descobri que gato não dá tanto trabalho quanto cachorro...
- É mesmo, vô?
- É verdade, os gatos são mais tranquilos, tem um lugarzinho só deles, não fazem tanta sujeira, e assim por diante... Finalmente ele chegou... era muito bonito, branco e marrom, olhos azuis, vesguinho de tudo...
- Vesguinho, vô?
- É... estrábico... um olho numa direção, outro olho na outra...
- Muito estranho esse gato...
- O namorado da tia falou que era de raça, que esses gatos de raça são assim mesmo, vesgos...
- Entendi, mas não é esse que está sempre com você...
- Não é mesmo, apesar de me tratar muito bem, não é... A história não termina ai, porque tem ainda o episódio da chegada da Amarelinha em nossa casa... essa sim é a gatinha que está sempre comigo...
- Conta vô, conta logo...
- Um dia, de novo o alvoroço: Tem um bicho aqui... no mesmo lugar da Corintiana... a mesma maneira de se esconder, o mesmo medo...
- Nossa vô, superestranho...
- Hiper, Mega, Blasterestranho... eu fiquei sem saber o que fazer... de repente aparece uma gata, grande, magra e...
- E o quê, vô?
- Grávida! uma gatinha grávida na minha casa... parece nome de filme...
- Parece mesmo vô: grávida?
- Pois é, netinha, grávida... eu fiquei sem saber o que fazer, não me sentiria bem colocando a gatinha na rua, eu fiquei muito entusiasmado com a carinha dela... toda carente, toda precisando de ajuda...
- Imagino vô, acho que todos ficaram maravilhados...
- Ficamos mesmo, todos queriam ficar com a gatinha... pelo menos até que ela tivesse os filhotinhos...
- Que bom, vô!
- Bom mesmo, pois ela se transformou no xodó de todos, pelo seu jeito tranquilo, pelo carinho que tinha por todos, enfim, uma gatinha muito sensacional... Passado algum tempo ela teve os filhotes, nós os colocamos em lares que cuidaram deles com carinho...
- E ai, vô? O que vocês fizeram depois?
- Todo mundo quis ficar com ela, mas eu tomei alguns cuidados...
- Que cuidados, vô?
- Imagina se ela ficasse dando cria de tempos em tempos?... a casa ficaria lotada de gatos e ninguém aguentaria...
- O que você fez, vô?
- Pedi para que eles levassem a Amarelinha para castrar, pois isso evitaria que ela tivesse mais filhotes... e isso foi feito.
- Por isso que ela gosta tanto de casa?
- Claro, ela foi recebida e tratada com carinho na hora da necessidade, e todos agradecem o carinho recebido, não importa se são pessoas ou animaizinhos...
- É verdade, vô, todo mundo gosta de carinho, né?
- É verdade, por isso não devemos sonegar carinho... sempre que possível devemos oferecer o braço amigo, o ouvido atento, a palavra de conforto para todos os que nos procuram...
- Valeu, vô...
- Valeu, netinha...








2 comentários:

  1. Oi Manolo!!!
    Sou a Priscila Vono. Membro da organização do Festival de livro espirita de SBCampo, lembra?
    Vi uma parte de sua palestra no Geedem (Grupo de Estudos espíritas Dr. Eduardo Monteiro) sababo passado (28/01/2012)- Estavamos em reunião de planejamento de aula da escola espirita infantil e juvenil.
    Pena não ter podido cumprimenta-lo.
    Abraços...

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    1. Oi Priscila. Eu não sabia que vocês são trabalhadores dessa Casa. Achei muito legal e fui muito bem recebido. Uma turma espetacular!
      Abraço fraterno.

      Manolo Quesada

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