segunda-feira, 26 de março de 2012

A volta do filho pródigo


- Bom dia, vô! disse a netinha, com ar de preocupação.
- Bom dia, netinha... tá preocupada com alguma coisa?
- Eu gostaria de saber um pouco sobre o que é "filho pródigo"...
- Posso saber o porquê?
- Claro, vô... é que eu ouvi essa frase outro dia: "voltou como o filho pródigo", e fiquei querendo saber o que isso  tem a ver com a vida da gente...
- Interessante... essa expressão é usada devido a uma história que Jesus contou aos seus apóstolos.
- E trata do quê, vô?
- Trata de dois irmãos, um pai e uma série de questões relacionadas com a humanidade de maneira geral...
-Tudo bem, vô, mas você fala de um jeito que eu entenda?
- Claro que sim, do contrário não adianta nada eu contar e você não entender...
- Então conta...
- Jesus quando esteve entre nós contou várias histórias e essa é uma delas, vamos lá... Um senhor tinha dois filhos, um deles chegou e pediu a parte dele da herança.
- Herança?
- É... um direito que os filhos tem sobre o dinheiro dos pais depois que eles desencarnam, ou em vida, se entrarem em um acordo...
- Ah! entendi... continua, vô!
- O pai deu o dinheiro pra ele. Em seguida o rapaz foi embora, pois queria aproveitar a mocidade e conhecer o mundo, só que ele passou por situações que ele não esperava, encontrou a fome, gastou o dinheiro com mulheres, bebidas... e um dia o dinheiro acabou...
- Nossa, vô... acabou tudo?
- Acabou tudo, ele ficou sem nada, nem pra comer...
- O que ele fez?
- Tentou arrumar um emprego, pois tinha vergonha de voltar para a casa do pai dele naquele estado...
- Ele conseguiu, vô?
- Conseguir ele conseguiu, mas o emprego não era dos melhores, ele arrumou emprego de tratador de porcos e, pior ainda, só podia comer o que sobrava da alimentação dos porcos, as tais alfarrobas...
- Alfarrobas? Essa é danada... o que é isso?
- É uma espécie de vagem, como a do feijão... eles davam isso para os porcos pelo seu valor nutritivo...
- Legal...
- Só que ele foi percebendo que  tinha errado feio ao sair da casa do pai dele... estava sem dinheiro, sem ter onde morar e, ainda por cima, comendo a comida que sobrava dos porcos que ele alimentava...
- E o que ele fez, vô?
- O que qualquer pessoa normal faria: percebeu o erro, tratou de colocar o orgulho em seu devido lugar e voltou ao lar paterno, para que o pai dele o empregasse como um  trabalhador comum na sua propriedade...
- Será que o pai dele ia aceitar isso, depois de tudo o que ele fez?
- Aceitou e mais: ficou super contente com a volta do filho...
- Não me diga?
- Verdade... o pai mandou fazer uma grande festa para recepcionar o filho que estava de volta, mais maduro, mais consciente do seu papel e mais agradecido pelos benefícios que tinha em casa.
- Nossa, vô...mas ainda não entendi o porquê da expressão: "voltou como o filho pródigo"...
- Como voltou o filho da história de Jesus?
- Sem dinheiro, cansado e querendo um trabalho...
- Pois é isso mesmo, ele voltou sem dinheiro porque foi pródigo, ou seja gastou demais e ficou sem dinheiro nenhum...
- Quer dizer que todo mundo que fica parecido com o filho pródigo é porque voltou sem dinheiro e arrependido?
- É isso mesmo... o importante de tudo é entender que não importam os erros que tenhamos cometido, as faltas que teremos que reparar, o importante é confiar no pai, pois ele nos dá sempre as chances que precisamos para retornar ao lar e continuar com o carinho dessa grande família chama humanidade...
- Na nossa família teve algum caso parecido com esse?
- Toda família tem, em maior ou menor grau, e nós devemos agir como o pai da história de Jesus: receber de coração aberto os que voltam ao nosso convívio, não importando os erros que eles tenham cometido.
- Valeu, vô...
- Valeu, netinha...




sábado, 10 de março de 2012

Labirintite?

O avô estava pensando, sentado no sofá da sala quando os seus pensamentos foram interrompidos... por quem? Ela, a pequena notável que chega como quem nada quer e vai embora carregando todo o amor que possamos lhe oferecer...
- Vô, como eles tratam de drogados no plano espiritual? Você sabe alguma coisa disso?
- Hummmm... mais ou menos.
- Como assim: mais ou menos?
- Eu estava aqui pensando numa operação que havia feito e tenho um caso interessante para você...
- Conta então, vô... tem a ver com drogas e drogados?
- Não a operação, o seu desdobramento sim...
- Então vamos lá...
- Vamos começar do começo. Eu tinha um calombo no peito que me incomodava...
- O que é calombo, vô?
- Calombo é um inchaço, uma espécie de tumor que acaba incomodando muito a gente...
- Dói, vô?
- Doer não dói não, só incomoda, mas vamos continuar... eu tinha consulta com a doutora do posto de saúde, ela me examinou e eu, ao final da consulta, perguntei se ela poderia me encaminhar para um especialista.
- Ela encaminhou você, vô?
- Encaminhou sim. Me mandou para o Ambulatório de Especialidades Jardim dos Prados. Marquei a consulta e, depois de vários dias, fui consultado.
- E ai, vô? o que aconteceu?
- Eles tiraram algumas radiografias e constataram o problema. Disseram que precisava operar, mas que era uma operação simples, ambulatorial.
- Ambulatorial? 
- É, quer dizer que não necessitaria ficar internado, que eu seria operado e poderia ir para casa... andar de volta para casa...
- Ah!!!
- Me deram algumas orientações, entre elas a de parar de tomar o AAS, pois o sangue fica difícil de coagular quando se toma esse remédio...
- E você, vô?
- Eu fiz tudo direitinho, parei o AAS cinco dias antes de operar, fui em jejum para a mesa de operação e a dita cuja começou...
- Foi tudo bem, né vô?
- Foi sim, só um pequeno problema, o diagnóstico não estava completamente certo, pois ao invés de quisto sebáceo era uma hérnia de hiato, que eles não conseguiram enxergar pela radiografia...
- Nossa vô... e agora? 
- Agora não tinha mais jeito e, também, não tinha tanta diferença assim: tinha que tirar do mesmo jeito... ele tirou a gordura que estava acumulada costurou um pedaço do esôfago e fechou o corte... o problema só ficaria maior se, por algum motivo, eu tivesse uma recaída.
- Uma recaída? Como assim, vô?
- Se a hérnia tornasse a aparecer. Precisaria uma outra operação e teriam que colocar uma tela para proteger as paredes de sustentação... mas não deu problema nenhum e não tive que refazer a operação...
- Tá vô, agora me conta: onde entram os drogados?
- Eu chego lá... lembra do AAS que eu parei de tomar?
- Lembro vô, o que tem?
- Acontece que eu comecei a sentir tonturas, uns quatro ou cinco dias depois da operação...
- Tontura? 
- É... como se fosse labirintite e eu não sofro de labirintite.
- Nossa vô... o que isso quer dizer?
- Quer dizer que eu fiquei super preocupado, e se fosse uma sequela da operação? E se tivesse acontecido alguma coisa que mexeu com o meu labirinto e estava me desequilibrando?
- Sequela é isso, então? alguma coisa que fica diferente depois que a gente opera?
- É... podia ser alguma coisa desse tipo. Eu fiquei assim alguns dias...
- E ai vô, aconteceu alguma coisa diferente?
- Aconteceu.
- O quê, vô?
- Eu estava sentado no sofá da sala, quando senti a presença do meu amigo Enoque...
- Enoque?
- É... ele é um trabalhador da espiritualidade e desenvolve um trabalho muito grande junto da equipe do Luiz Sérgio, junto aos drogados...
- E o que ele faz, vô?
- Não só ele mas toda a equipe, ajudam, recolhem e encaminham espíritos que foram drogados enquanto estavam encarnados para várias instituições no plano espiritual...
- E onde entra a tal labirintite?
- É ai que eu vou chegar... ele ficou preocupado com a minha preocupação e me mostrou o que eles estavam fazendo em casa com os drogados que não tinham condições ainda de deixar a crosta...
- Crosta?
- É esta parte da Terra que nós habitamos e muitos espíritos ainda não tem condição de serem levados pois estão muito densos e dependentes das drogas que usavam antes da desencarnação...
- Agora sim, vô, tava meio confuso pra mim...
- Calma que tô chegando lá...
- Tomara, vô!
- O Enoque e a equipe colocaram um equipamento super sofisticado bem em cima daquela parte mais alta, em cima do salão, que serve para renovar o ar...
- Aquela que tem os vidros?
- É, aqueles vidros são chamados elementos vazados, pois facilitam a entrada e a saída do ar... mas veja,  pelo que ele me falou, o equipamento é super moderno, eu dei uma olhada e vi...
- O que você viu, vô?
- Era uma espécie de câmara de recuperação, tinha uma tubulação que a deixava repleta de um gás muito especial que fazia a oxigenação das células perispirituais deles, dos que estavam deitados lá...
- Quantos eram, vô?
- Eu tenho a impressão que vi oito leitos ocupados, todos pareciam dormir...
- Dormir?
- É, eles precisavam ficar isolados, pois poderiam sofrer muito fora das câmaras. 
- Quanto tempo eles ficaram lá?
- Alguns dias mais. Foi então que o Enoque me disse o que estava me acontecendo...
- E o que era então, vô?
- Acontece que a máquina tinha uma vibração muito grande para poder fazer o serviço com os drogados, e essa vibração estava interferindo com o meu labirinto...
- Por isso você ficava tonto?
- Exatamente por isso... Ele teve que diminuir um pouco a vibração para que eu não me sentisse mal enquanto a máquina era utilizada...
- Nossa, vô!
- Veja só que coisa netinha, mesmo as coisas do lado de lá, quando estão na mesma vibração que a gente, incomodam e nos fazem sentir coisas que não sentimos normalmente, coisas que não conseguimos explicar sem auxílio da espiritualidade...
- É verdade, vô... e continuou acontecendo?
- Depois disso nunca mais senti nada e eles continuam trazendo os drogados e tratando lá, quando existe essa necessidade...
- Ainda bem que você não sente mais, né?
- É verdade e isso é pra gente perceber como somos bem tratados pelos nossos amigos espirituais, sempre preocupados com o nosso bem estar.
- Ajustam até as máquinas... ai sim!