terça-feira, 7 de agosto de 2012

"Olbluais"


- Oi, vô!
- Oi, netinha, tudo bem?
- Tudo bem... eu queria saber mais sobre como foi que começou a tua história na Seara...
- Eu contei um pedaço já...
- É, contou, mas eu quero saber a continuação, tipo "Seara parte 2"... pode ser?
- Pode sim... eu acho bem interessante, principalmente porque as coisas continuaram de maneira superestranha...
- Como assim, vô?
- Imagina que eu tinha uma amiga de infância , que tinha uma irmã , que eu não via fazia muito tempo, mas muito tempo mesmo... pois essa moça apareceu na Seara...
- Como assim, apareceu? Ela tinha desencarnado?
- Não, eu não tinha contato com ela há muitos e muitos anos e, surpreendentemente, fui reencontrá-la na Seara.
- E ai, o que aconteceu?
- Aquela conversinha de quem não se vê há bastante tempo, como vai, como estão os parentes, etc...
- Só isso?
- Quase só isso... sem essa nem aquela ela falou: "Acho que vou fazer um curso, vou ver quais estão oferecendo"...
- E o que isso tem a ver?
- Tudo... eu não sabia dessa "história de curso"...
- E?
- Eu fique matutando que eu também poderia fazer um curso, estava de alta, estava assistindo só o A2, tinha tempo... era o momento ideal...
- E que você fez?
- Fui ver os cartazes...
- E daí?
- Dai que eu estava passando e um cartaz parece que começou a brilhar e piscar, igual que anúncio de neon...
- Brilhar? piscar? neon?...
- É... anúncios de neon são movimentados, brilham, apagam, dão a impressão que tem vida própria... esse cartaz tinha todas essas características...
- Que curso era esse que tinha "vida própria"?
- O nome do curso era: "O Evangelho de João e o Apocalipse"...
- Nossa, com um título desses só brilhando e tendo vida própria mesmo...
- Pois é... aquilo ficou na cabeça... fui ver onde poderia fazer a inscrição...
- Achou?
- Achei, as inscrições eram feitas na secretaria.
- E ai?
- Eu fui lá, perguntei como fazer a inscrição...
- E depois?
- Na verdade, aqui é a parte mais interessante dessa "parte 2" da história...
- Porquê, vô?
- Foi aqui que eu conheci o Sr. Hellmuth...
- Quem é esse, vô?
- Era o responsável pelas matrículas nos cursos... ele tinha olhos azuis profundíssimos...
- É mesmo, vô?
- É mesmo... quando eu perguntei como fazer a inscrição ele me perguntou se eu não queria fazer o Curso Básico... e me explicou que aquele que eu queria era um curso mais complicado, talvez eu não compreendesse, que no básico eu teria  informações sobre mediunidade e tudo o mais...
- E você vô, o que falou pra ele?
- Eu disse que não queria saber nada sobre mediunidade , o que eu queria mesmo era saber sobre o Evangelho...
- E ele, o que fez?
- Menina, ele ficou me olhando... simplesmente me olhando...
- Não falava nada?
- Não falava nada... só me olhava... media de alto a baixo, olhava como se estivesse vendo com a "visão além do alcance"...
- Nossa vô, igual que um Thundercat?
- Igualzinho, ficou um tempão olhando...
- E você?
- Eu fiquei esperando até que, meio impaciente, disse pra ele me responder...se podia ou não podia!
- E dai?
- Dai que ele resolveu me inscrever...
- Ufa, vô, fiquei preocupada, pensei que ele não ia te inscrever...
- Eu também mas, felizmente, ele disse sim pra mim...
- Ainda bem, senão seria muito ruim pra você, não é mesmo?
- Eu acho que sim, mas vamos continuando... as aulas começariam em agosto, seriam aulas aos sábados...
- Só aos sábados?
- Só, esses cursos tem um aula por semana, é praxe...
- Ah!
- Sei que esperei o dia do início do curso com muita ansiedade... parecia que o tempo não passava, mas passou... o dia chegou...
- Nossa vô, que emoção... imagino o senhor no dia...
- Nem te conto, foi um dia emocionante por vários motivos...
- Quais motivos, vô?
- O primeiro deles é que, depois de muitos anos, eu estava de novo frequentando alguma coisa relacionada com a espiritualidade que eu gosto muito, depois a certeza de aprender coisas novas, outras visões, outros pontos de vista e,  finalmente, encontrar algumas respostas que eu ainda não tinha encontrado...
- E ai, vô? como o pessoal te recebeu?
- Me receberam com muita curiosidade, ninguém me conhecia e todos se conheciam, pois eram todos trabalhadores da Seara, eu era o "peixe fora d´água"...
- Como assim, vô?
- Depois eu fiquei sabendo que o curso não era aberto a todos, era aberto só para os trabalhadores, tinham alguns pré-requisitos...eu entrei pela boa vontade do Sr. Helmuth... lembra que ele ficou me olhando um montão de tempo?
- Lembro sim, vô...
- Pois eu acho que nesses momentos ele deve ter mantido um papo muito sério com os amigos espirituais e decidido me aceitar, pois até então aquilo era um fato inédito... e eu agradeço de coração a boa vontade dele e de todos os que estavam com ele naquele momento e, também, os que do meu lado intercederam por mim para que eu retomasse as atividades espirituais na minha vida...
- Nossa vô... você tem umas histórias que parecem duas...
- E são duas na verdade, a primeira foi essa  e a segunda tem a ver com uma amiga que conheci naquele curso...
- Que amiga, vô?
- A Nair... era ela que ministrava o curso e eu fiquei encantado com a maneira como ela falava do Evangelho, era tudo o que eu queria ouvir: um Evangelho dito de maneira a que todos pudessem compreender, de maneira leve, fluente, emocionada...
- Nossa vô, fico imaginando...
- Eu nunca tinha ouvido ninguém falar do Evangelho daquela maneira e isso me deixou com mais vontade de aprender... isso sem contar a experiência maravilhosa de poder desfrutar da amizade e do carinho de todos aqueles trabalhadores que me receberam tão bem, me ajudaram nas dificuldades e me proporcionaram alguns dos mais belos momentos de minha vida...
- Vô, desse jeito eu vou chorar...
- Eu já estou chorando só de lembrar de tanta gente maravilhosa que me abriram as portas para um admirável mundo novo, cheio de respostas, de incentivo, de companheirismo e, principalmente, de responsabilidade...
- Puxa, deve ter sido maravilhoso mesmo...
- Não foi só maravilhoso, foi um marco na minha vida, a primeira vez que me coloquei de frente pra mim mesmo e me descobri imortal, pleno da graça divina e com a eternidade para conquistar a minha emancipação como Espírito...
- Agora tenho que ir vô, fique com suas emoções, igual que o Roberto... 
- Que Roberto?
- Que Roberto, vô? ... O Roberto Carlos... aquele do "são tantas emoções"...
- Ah... ai sim!