segunda-feira, 16 de março de 2015

MILAGRE NO METRÔ
Marcos é cético... mas não um cético como outro qualquer. É cético da cabeça aos pés, ou seja: não acredita em nada mesmo... nada que se refira a ir desta pra melhor, ou vida após a vida, ou céu, ou inferno... purgatório então, nem pensar!
Tem, apesar de toda a descrença, a fé em si mesmo. É essa fé que faz com que ele se levante todos os dias, se arrume e se dirija para o trabalho, onde ele tem os proventos necessários para o seu dia-a-dia.
Não mora sozinho. Tem alguns parentes que dividem as despesas da casa com ele: avós, tias e tios.
Sim, o Marcos veio do interior para a cidade grande e, portanto, tem um grande apreço pelos que o acolheram.
Essa manhã parecia diferente para ele. Despediu-se como de costume...
- Tchau ... indo...
- Tchau Marcos. Respondeu Rosa, ou melhor, Dona Rosa, a que tanto Marcos gostava.
Depois da despedida, ponto de ônibus... integração com o Metrô... facilitava um pouco a vida. Ganhava um tempinho.
- Não pegue o ônibus agora...
Marcos virou-se... ninguém...
A sensação da manhã persistia.
- Que será isso? ficando doido... só pode ser.
O pensamento de Marcos nao atinava com o que pudesse estar acontecendo.
- Conceição... é nesse que eu . Assim pensou, assim fêz.
Nos vinte minutos que Marcos ficou no ônibus até a Estação Conceição, a sua cabeça não parou um segundo...
- Caramba... tanta coisa pra fazer hoje. Preciso planejar tudo direitinho, senão não dá pra ver a Fernanda... ê lasqueira! É tudebom!
Fernanda era a namorada... eles se amavam e estavam fazendo planos para o futuro.
Marcos era muito gentil com ela, e ela correspondia a todo o sentimento que ele tinha por ela.
- Caramba... tenho que resolver logo o caso do Eduardo, senão frito... o chefe não vai gostar se eu ficar enrolando e não resolver... ai ai ai... tanta coisa pra quê? Bate com as dez e acaba tudo mesmo...
Na estação deu-se pressa.
Entrou e logo dirigiu-se para a catraca... bilhete integração... vai e volta.
O barulho do trem foi aumentando junto com a velocidade que o trem desenvolvia.
Um passageiro puxou assunto sobre os problemas da corrupção que o país atravessa.
- Isso é coisa que eles resolvem... afinal, elegemos sempre os mesmos, não é? Respondeu Marcos.
- Precisamos mudar mesmo... escolher gente nova... respondeu o outro.
- O senhor acha que adianta alguma coisa? Perguntou Marcos.
- Não sei, mas pelo menos a gente diz que não concorda com o que está ai, ?
- Acho que o senhor tem razão...
A conversa acabou, pois Marcos estava com um pouco de sono e cochilou quase imediatamente.
- E ai? Pegou o ônibus e está aqui agora... toma cuidado.
- O quê? perguntou ao senhor que estava ao lado.
- Nada não... não perguntei nada. Descansa mais um pouco.
- De novo. Pensou Marcos.
Uma sensação de impotência tomou conta dele, afinal ele não acreditava em nada que não fosse deste mundo... e agora? Será que havia alguma coisa?
Lembrou do Sérgio, o amigo que de vez em quando lhe falava alguma coisa sobre o outro lado da vida.
- É verdade Marcos, o além existe... tem vida depois da vida. Não tem como ser diferente... é a justiça divina.
- Justiça divina é o que você faz aqui... passou daqui não tem mais nada.
- Engano seu... quando acontecer a tua passagem você vai se surpreender com o que nos espera do outro lado... se não nos preparamos ficamos sem saber o que fazer...
- Preparar para morrer? Você louco! O que existe de fato é o que vemos por aqui... se você acredita nisso tudo que diz problema seu... eu é que não perco meu tempo.
- Preciso conversar um pouco mais com o Sérgio, concluiu Marcos.
Na estação Sé, Marcos pegou o outro ramal: Barra Funda.
- Bem, agora quase lá... espero que eu consiga resolver tudo.
- Estação República - anunciou o alto falante.
- Vamos lá... pensou Marcos.
Desceu. O trem movimentou-se. Ele ficou junto à faixa amarela que demarca o espaço seguro para o passageiro dentro da estação. Ficou olhando não sei bem o que... aquelas coisas que nos pegam de surpresa. O trem ia longe quando de repente um empurrão e... Marcos caiu nos trilhos!
Não sabia bem o que estava acontecendo... como chegara ali... quem o empurrara...
Conseguiu pegar a pasta... alguns olhavam da plataforma.
De repente Marcos viu alguém que vinha ao encontro dele...
- Cuidado amigo e mantenha a calma...
- Tudo bem... eu estou bem. Respondeu Marcos.
- Tome cuidado com esse trilho extra que aparece ai... ele é que carrega a energia para movimentar os trens...
- Tudo bem... eu estou tranquilo... acho que chamaram a segurança...
Realmente alguém avisara a segurança. As providências estavam sendo tomadas.
A energia da estação foi bloqueada... alarmes soaram indicando perigo... todos os usuários foram contidos à distância segura.
O diálogo continuava nos trilhos.
- Como foi deixar uma coisa dessas te acontecer?
- Sei lá... eu não percebi... de repente tomei um empurrão e cai...
- Não sabia que tinha que tomar cuidado? Não te avisaram para não tomar o ônibus?
- Como você sabe isso? Você lê pensamentos? Tava pensando nisso agora...
- Temos que tomar cuidado... afinal, ninguém está sozinho... vê se toma jeito...
- Pera ai! Quem é você?
Antes de obter a resposta ouviu o chamado da plataforma:
- Fique quieto que já estamos indo resgatá-lo... por favor, não se mexa e mantenha a calma.
- Já falei que estou calmo... vocês não entendem não?
Quando olhou para o lado percebeu que estava só. Onde estaria aquele funcionário? Como ele saiu sem que percebesse?
Mais alguns minutos e pronto... Marcos virou notícia!
Alertados pela segurança uma equipe de tv já estava a postos para entrevistar o sortudo que caiu nos trilhos do metro e saiu sem nenhum ferimento.
Deu a entrevista depois de um bom copo com água e foi embora, afinal tinha muita coisa a fazer.
Tudo transcorreu normalmente... os seus quinze minutos de fama haviam chegado e, da mesma forma, ido embora.
O tempo passou. Final de ano... família reunida... pai e mãe vieram a São Paulo para as festas...
A casa ficou pequena... corre pra cá, corre pra lá e rapidamente todos se acomodaram.
- Uma semana passa logo, disse a Rosa.
- Saudades mãe, saudades pai... como vão as coisas?
- A vida do mesmo jeito... tranquila... sem muita mudança... você é que passou um susto grande... nós vimos a notícia...
- Pois é pai... eu nem sei como cai... tomei um encontrão de alguém e lá fui eu... sorte que um funcionário estava lá embaixo e conversou comigo... me ajudou a acalmar... e logo depois eu sai... a segurança me resgatou lá nos trilhos...
- Evaldo!!! Chamou a Rosa.
Evaldo, o pai  de Marcos, se levantou e foi ver o que era.
A Rosa estava vendo umas fotos antigas, aproveitando a visita do filho...
- Olha quanta foto eu guardo... vem matar saudade!
Ao ouvir falar das fotos o Marcos foi pra lá também... e todos os outros foram se chegando...
Foto vai, foto vem...
De repente o Marcos fica estranho... meio branco...
- Que foi Marcos? Não bem não? Perguntou o pai...
- Pai... de quem é esta foto?
- Esta aqui?
- Isso... quem é esse?
- Esse é o tio Evilázio... meu irmão mais velho... não sei se você chegou a conhecer ele... faz um tempão que morreu...
- Morreu? Morreu nada... foi esse ai que tava lá nos trilhos pedindo pra eu me acalmar... ai ai ai... me dá um copo com água mãe!!! Com açúcar!!!
A água veio rápida e bem docinha...
Depois disso o cético ficou com a pulga atrás da orelha...
- Será? será?

Espírito: Hilário Silva
Médium: Manolo Quesada
28/01/2007


2 comentários:

  1. Feliz segunda-feira!
    Como diz um texto biblico, "acautele-se quem está depé para que não caia"
    Querido Manolo, são textos como este que nos faz refletir e com urgencia mudar a nossa rotina em ações e pensamentos. Não adianta ter somente o conhecimento mas coloca-lo em prática, estudar constantemente.
    Deixo um fraterno abraço estendendo convite para visitar o Perseverança, meu blog, olha o endereço www.felicidadeamorpaixao.blogspot.com.
    Nicinha Fernandes

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. oi Nicinha.
      Obrigado pelo carinho e parabéns pelo blog.
      Manolo Quesada

      Excluir